Amor de verdade, nos dias de hoje, é coisa rara de se encontrar. Tão rara que muita gente desiste de procurar, e não acredita que possa existir um amor assim, tão puro, tão forte, tão real, como o amor que vivem os mocinhos das novelas e dos filmes. Mas conhecendo a história dos meus pais, e da nossa família, eu duvido que alguém não fique tocado e não perceba que sim, é possível existir um amor tão lindo, tão verdadeiro e tão profundo quanto o que vemos na ficção. Até maior e mais bonito do que qualquer autor poderia imaginar, na verdade. E só um amor com essa força poderia gerar uma família tão unida como a nossa. E é graças a essa união que nós, meu irmão, minha mãe e eu, estamos agüentando firme a barra de entregar para Deus o nosso querido pai.
Quem conheceu meu pai sabe o tipo de pessoa que ele era: sempre alegre, calmo, sereno, carinhoso, e tantos outros adjetivos que eu poderia escolher. Mas, na verdade, a palavra que melhor define o meu pai é um substantivo: criança. Não no sentido de imaturo, mas no sentido da pureza, da capacidade de se divertir com as menores coisas, de confiar na humanidade, de estar sempre pronto pra ajudar os amigos e a família, de ser feliz, enfim.
Nos seus últimos dias, ele repetiu algumas vezes que estava muito feliz. Mais do que ele normalmente já era. Quem sabe por isso Deus resolveu trazê-lo para junto de si. Porque o meu pai já não estava no plano espiritual que nós, seres humanos comuns, estamos. Ele já tinha alcançado um patamar que só quem está muito próximo de Deus pode alcançar. Sua missão aqui, junto de nós, já estava completa. Sei que agora a sua missão é diferente: é estar no Reino de Deus, e olhar por todos nós lá de cima.
Escrevo este texto com lágrimas nos olhos, mas essas lágrimas não são de tristeza. O que mais dói, em todos nós, é a saudade. É a falta do abraço, do carinho, da palavra amiga, das risadas, e até dos roncos. O que dói é saber que nas nossas próximas viagens não vai ser ele que vai estar dirigindo, e que ele não vai comentar comigo sobre as notícias do Atlético. Mas o que nos consola é saber que ele não vai estar presente materialmente, mas vai estar sempre nos guiando, nos dando forças, e nos ajudando a seguir a vida da melhor maneira possível.
(Ana Elisa Gusso - fevereiro 2005)
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